Saturday, 15 March 2008

De volta...

Novamente de ferias! Agora posso retomar este esquecido weblog...

Ha muito que queria escrever esse post. Eh que semana passada eu assisti a uma apresentacao do musical FAME produzida aqui pelos estudantes da universidade, mais especificamente pela Musical Society (sim, existem societies para absolutamente tudo que a vida oferece aqui).

Em meio as musicas e a algumas surpreendentes performances fiquei pensando, ou melhor, inevitavelmente comparando varios aspectos da universidade de Leeds e da minha querida UFPB, ou qualquer univ. no Brasil.

a comecar pelo sistema de aulas que eh muitissimo diferente. Ha poucas horas de aula na semana, tem-se muito tempo livre. No entanto, ha sempre nos "handouts" que sao entregues em cada lecture diversas indicacoes de livros, artigos de jornais cientificos, documentos importantes e etc que lhe guiam pra uma leitura aprofundada sobre a abordagem superficial da aula. Tem-se entao os seminars, onde se discute o que foi abordado em sala, e cada aluno eh convidado a contribuir com base nessas leituras posteriores que (supostamente) foram feitas.

Privilegia-se muito mais a independencia academica. O aluno tem grande liberdade de moldar o curso, seja na escolha das cadeiras, seja na literatura e nos topicos que pretende enfatizar. Isso eh util/interessante especialmente no que se refere a "especializacao" exigida dos profissionais, qualquer que seja o cunho mercadologico que isso possa carregar.

Mas o que me fez pensar bastante foi a diversidade de comunidades, foruns, grupos de discussao, ou qualquer encontro de "duas ou mais pessoas" pra discutir, ou cantar, ou gritar, ou manifestar a "complexidade de qualquer coisa idiota" (by Myriam). A principio pode-se argumentar que trata-se de algo secundario, um "plus" que somente uma instituicao rica ou um pais desenvolvido, que ja nao se preocupa com a "dignidade humana" de seus miseraveis possa gabar-se de ter.

Creio que tal posicao enfraquece a ideia de universidade, seja ela em JP ou Londres. Universidades existem para, como o proprio nome diz, reunir conhecimento, debater ideias, fomentar discussoes e pesquisas e dai habilitar seus sujeitos pensantes a vencer na proxima etapa que naturalmente eh el lavoro. Teatro, artes, pintura, debates, filmes, jogos de futebol, viagens, estudos de linguas e outras milhares de atividades extra sala de aula tornam o ambiente universitario mais completo, mais sofisticado. E eh inegavel que a condicao financeira dita muito a pratica, que o diga a heroica turma do DATAB que se entrega de corpo e alma pra angariar suporte (principalmente financeiro) pra realizacao de uma semana de arte e cultura que infelizmente tem participacao bem aquem do desejavel.

Assistir ao espetaculo me fez voltar ao tempo. Me lembrou a epoca das gincanas do PIO XI, que eu esperava ansiosamente desde o inicio do ano. Como acontece mesmo aqui em Leeds, nao obstante a miriade de opcoes e ampla divulgacao de muitas das societies (desde a socialista ate a fascista), sempre ha uma comissao ou uma pequena turma que cuida de praticamente tudo, e quando as coisas vao dando certo o apoio vai sempre aumentando.

Eh paradoxico muitooos ainda acharem que no Brasil fala-se espanhol, ou brasileiro, e ao mesmo tempo terem a capacidade de tocar em uma banda, fazer teatro, escrever pra um jornal, falar 2 linguas estrangeiras, jogam um esporte regularmente etc como se fosse a sua area de estudo principal. Estudantes que se interessam em fazer algo alem da tediosa sala, tem o ceu como o limite. E geralmente quando o fazem, sai ate bem feito. Mas obviamente pq tem suporte. E quanto tem.

Eu mesmo aprendi. muitas coisas na epoca das gincanas, como... matar aula!? fazer pedagio!? memorizar 50 palavras!? nocoes de decoracao (pra uma gincana)!? Haha... quem sabe se um dia essas habilidades nao me serao uteis? O momento de diversao, a interacao com diversas pessoas e os aprendizados com os desafios que vencia certamente serao.

O negocio eh 'give it a go'. Tentemos, facamos alguma coisa diferente pelas nossas universidades!

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